domingo, 22 de novembro de 2015

Um pequeno diálogo: A indecência pode ser saudável!



Figura 1 por  Mark Rothko, No 301, 1959 (via Daily Rothko Tumblr Blog).

Lucio: Estou a pensar sobre estes camelos Mara, eles não passam pela metamorfose? Será que ainda chegará o tempo deles...? Será que o grande meio-dia estar por voltar sobre si mesmo, neste grande plano que estes caminham, sem um horizonte aparente? Estou incerto, parecem demasiados camelos! Subitamente camelos, perdidos a fio, carregando o peso de seu niilismo!
Marta: Quem caminha pelos desertos aprendem muito na ingenuidade Lucio!
Lucio: Ah sim. O “Leão da tribo de Judá” aquele que vaga pelo deserto, muitos povos se convertem, e se converteram em leões! Mas, pobres de si mesmo, e ainda como leões, matam os filhotes da leoa, suas próprias crias, suas próprias crianças, para instituírem o seu harém... não sobra tempo para as ingenuidades e para as crianças nesses lugares. Às vezes é preciso um deserto para completar a transmutação.
Marta: A indecência pode ser saudável, necessária até, desde que ela não vá para o cérebro, como diz bonito o D.H. Lawrence.
Lucio: Oh sim, bem lembrado Marta! Sei que foi leitor de Nietzsche, não? Lembro passageiramente de uma frase sua também. “Eu amo a floresta. É ruim viver nas cidades: ali são demasiados os que estão no cio! ”.
M: Os desertos, florestas... carregam muito dessa potência. É preciso destruir-se, para dar vazão há transmutação, há afirmação.
J: Carregar desertos jamais, florestas nem pensar. Mas sim deslizar por sobre ele, fazer dele um local de experimentação, deixar passar os fluxos, não como um grande sábio ou ermitão há procurar. A questão da procura, é estar aberto somente, as forças já estão aí, a alquimia está justamente no trabalho destas forças. Compor o plano, compor o espaço.
M: Insanidade... Insanidade... “Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa[1]”.
H:



[1] Poema: ‘A indecência pode ser saudável’ de D. H. Lawrence. Disponível em: http://poesiaparaninguem.blogspot.com.br/2006/12/indecncia-pode-ser-saudvel-d-h.html>. Acesso em: 07/09/2015

Documentário "Em busca do Espaço Cotidiano" [Jung]


Documentário realizado entre 1983 e 1986, de Leon Hirszman. O filme aborda três casos clínicos da grande psiquiatra Nise da Silveira, que, inspirada pelas teorias de Jung, revolucionou o tratamento de pacientes com sua abordagem humanista e a cura através da arte. Ao longo de anos, Dra. Nise coletou pinturas, desenhos e esculturas realizadas por seus pacientes, até fundar, em 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente.

domingo, 19 de outubro de 2014

Metafisiologia do Olho Apaixonado


A vida resguarda em si, inúmeras surpresas; É neste sentido em que muitos, ditos filósofos, detentores do pensar, afirmam as multiplicidades. As multiplicidades do encontro, do saber, do olhar, e, sobretudo, do amor.

Das várias formas de amar, de se apaixonar. Das várias formas também de olhar o amor, os signos correspondentes desta multiplicidade/singularidade.

Meio a tantas multiplicidades, em que lugar fica as repetições? Eventos casuais, que aparentemente parecem que nunca mais hão de se repetir. Verdadeiramente impossível. Mas há casos especiais, há casos estritamente espirituais, que hão de acontecer sim, de forma semelhante.

É ai, neste sentido, que entrar o olho. Que certamente, num local diferente, momento, duração e memória diferente, olhará ele, pois então, por sua fisiologia complexa, de forma diferente.

Assusta-me o fato, de haver poucos escritos a respeito do olho. Parte elementar do sujeito humano, enquanto singularidade e coletividade. O olho é social, individual. O olho é dos fantasmas, das potências, do medo, da alegria, do pai, mãe, mas também de todo o mundo. O olho comporta também, atualidades, virtualidades. A forma de como o olho empreende a vida, está intimamente ligada aos músculos que a ligam, que o move. Extensividade e intensividade. Rigidez e flacidade.

O olho é um órgão bastante interessante, sem dúvida. É a nossa “parte” mais espiritualizada corpórea. É com o olho que se dá, se fabrica, engendra, reflete todos os estados do espírito. Os olhos são os espelhos da alma. Ele é intimamente movido pela multiplicidade. Com movimentos sempre de dentro para fora e fora-dentro. Dentro-do-fora, fora-do-dentro...

Os olhos tem um papel fundamental, também, no aprendizado. Não que seja engendrado ou funcione somente para isto, para esta faculdade. Como multiplicidade, os olhos são todas as faculdades possíveis, como já ditas, até das faculdades espirituais. Não pense que somos segregacionistas, ou hiperbóreos por dar esta supervalorização aos olhos, excluindo assim, deste texto, aqueles tidos como “cegos”. Não é somente destes olhos que estamos falando. Os olhos podem tomar posições, locais de afectos e afecções de formas múltiplas, apoiando sempre a diferença. Há o ditado: Enxergar com os ouvidos e ouvir com os olhos.

Desta forma também os olhos são os órgãos, potência, que mais se cansam do corpo. De todo o corpo. Pois a todo o momento, ele está a ver, perceber, olhar, decifrar, interpretar os hieróglifos, signos, que a todo o momento o violentam. Mas ele não o faz alvo de coitadismo por isso, o contrário.

Há, inclusive, um tipo específico de signos que arrebata os olhos, o contraria de forma tão acirrada que me sinto forçado a comentar algumas linhas, a respeito. São estes, os signos da paixão.

Comentarei, no entanto, um tipo específico, por conta da complexidade do tema. Um tipo especifico que acomete os olhos de forma que o contraria de todas as formas. As paixões induzidas por coincidências (repetições) espirituais (diferença).

Grosseiramente, no âmago das multiplicidades, muitas vezes relacionadas com o caos, pensar em repetição para muitos pode até mesmo ser um tanto quanto contraditório. Não é bem assim, digo. Há certas repetições que acontecem, por que são determinadas por alguma entidade superior. Coincidência.

O exemplo, de se encontrar com uma pessoa que lhe toma, arrebata aos olhos, arrebata todo o corpo, de forma tão complicada... O signo se enrola de tal maneira aos olhos, que é quase impossível dele se conter, quase impossível dele se soltar, relaxar.

Seus músculos ficam tão enrijecidos, apaixonadamente, que apesar do signo se enrolar de maneira tão complicada, tão amarrada, tão agressiva, a ponto de marcar a pele, aos olhos, ao espírito, a essência, que toda esta violência torna-se prazerosa. É neste sentido que somos todos masoquistas.

Neste momento, a dor é tão apavorante, e igualmente prazerosa, que pode um pequeno limiar podemos dizer que parcialmente nós arrebatamos no sentido mais puro da palavra, é possível sentir a quase-morte/arrebatação com o corpo frio, a a-subjetividade; A duração e o tempo dissipa-se. Por um curto período de tempo (metodicamente podemos dizer que alguns milésimos de segundos) não nos conhecemos, não reconhecemos gênero, raça, cor, nacionalidade...

Somente a vida a favor de sua diferença, a vida a favor dela mesmo, sua multiplicidade e suas misturas. Neste sentido podemos re-afirmar também o discurso que o pensamento só vem depois.

Ao voltar deste arrebatamento é que vamos engendrar o pensamento para decifrar toda esta violência a que fomos asujeitados.

Por estarmos perplexos, e a criação denotar um certo tempo, o signo por vezes pode escapar, estes costumam ser um pouco Trickster.

Porém, há ainda a re-afirmação de vida, que é necessária que surjam estas de dentro, interiormente, mas que podem sim ser produzidas a partir de um encontro. Num encontro potente. Estas re-afirmações de vida, seriam o que, comentado anteriormente, as coincidências espirituais. A repetição que traz consigo a sua diferença.

O reencontro com o signo, este signo Trickster, até então impossível devido à multiplicidade que comporta a macropolitica do qual ele está envolvido, todo o território, porém agora carregado de toda diferença, que trará assim imagens aos olhos, experiência, violências, complicações, inquietações, embriaguez completamente novas e distintas. Afirmando mais uma vez a vida e toda a sua mistura.

Exemplo, o primeiro encontro: Dante está num dia completamente distinto, pagando uma conta, num banco qualquer, longe de casa, nem perto de onde costuma andar, ou pagar suas contas. Encontra um moço na fila do banco. Sem contato pois Dante foi arrebatado.

Segundo encontro; Ao virar a noite, após uma noite cheia de problemas e pensamentos arredios, mergulhado num tédio sem fim; Dante, ao amanhecer, sai para caminhar, esfriar a cabeça, pelo bairro, sem destino, prometendo somente entrar por ruas antes, nunca entradas, somente para caminhar e fumar um bom cigarro de palha. No meio do caminho, ao finalmente se sentar e pegar o cigarro, por coincidência espiritual, acaba por encontrar o moço, o Trickster, novamente. Filho de Telekompensu, o caçador e pescador.



sábado, 27 de setembro de 2014

Do ficar em cima do muro, da inutilidade do caminho do meio




Não há nada mais prejudicial ao desejo do que "ficar em cima do muro". Não se colocar em posição alguma, não engendra máquina alguma, que não seja a máquina de ociosidade. Ao se colocar em determinada posição, o desejo engendra, criando rizomando-se, criando multiplicidades, pois há um objetivo, que não lhe falta, mas que lhe excede. Por exemplo, se as circunstâncias me afeta de tal forma, que circunstancialmente, por questões maquínicas de desejo, eu escolho/desejo ir até Roma. Eu criarei métodos, bruxarias, falcatruas para que eu deseje lá. Ao contrário, de quem fica no mundo, ficar no muro, é sinônimo de ideais ascéticos, é sinônimo que não querer por a "mão na merda", é sinônimo, de não desejar, e comer o que lhe servem a mesa. Não há nada mais reativo, que "ficar em cima do muro", pois até mesmo a dominação, parte do desejo. Como é o caso dos masoquistas. O ficar em cima do muro, é não se reconhecer com nada, nem ninguém, e na mesma proporção que eu não escolho ninguém, eu escolho a todos ao mesmo momento. Sujeitando-me aos desejos outros. Sujeitando-me o ao desejo dos outros, pois me ociosidade, impede-me me engendrar sozinha, a minha máquina desejante. E isso nada tem haver com lógica, nada tem haver com estrutura, ou nada tem haver com extremos, longe de mim os extremos, pois o desejo caminha por entre pedras, por debaixo delas, até mesmo. Como diz um grande jargão: "Não existe meio termo. O muro já tem dono”.

O QUE É, POIS A UNIVERSIDADE SENÃO A REPRODUÇÃO DE UM CONHECIMENTO CIENTIFICO? Notas e pensamentos soltos.

A educação é incansavelmente tema de pesquisa em nosso país, o fomento a essas pesquisas, também é enorme e a cada dia, surge mais e mais teorias a respeito, inúmeros autores, pesquisas, teorias para conceituar, isto também implica dizer, criar ferramentas, para o ensino-aprendizagem, relação que envolve aluno e professor, e claro, vários aspectos que rodeiam esses dois. Porém, a única coisa (curiosamente) que se mantém estática nesse âmbito de pesquisa em educação, é o objeto de estudo. A escola, o professor, o aluno e toda a rede que permuta esses envolvidos. E ai, eu voltado ao titulo, o que é a universidade senão a reprodução do conhecimento cientifico?

O conceito "universidade" se vangloria de seu tripé maravilhoso que é "pesquisa-extensão-ensino", pois elas atuam de forma completamente distintas, e tal como um tripé, seus pés são quase que emergencialmente separados um do outro. O ensino, por exemplo, separa-se, geralmente (e muito) da pesquisa e catastroficamente da extensão. Resumindo-se ao ensino, poucas palavras sobre "o que é comentado na área" em que a disciplina se propõe a discutir, "fulano falou isso e aquilo" e "faça essa provinha aqui". É completamente um absurdo, pois o aluno fica muito distanciado da aprendizagem. É como se para o universitário, o "ver assunto", fosse uma garantia de que ele está aprendendo (e ai dele se não aprender).

A partir disso, nascem complicações ainda maiores, que competem à metodologia de ensino de professor e apropriamento para "passar assunto". Não há lógica mais absurda que essa, a meu ver. As disciplinas (me arrepia só por conta desse nome) se estruturam em tese, em três ou quatro capítulos de algum livro, dois artigos e duzentos e tantos slides que o professor passa em sala de aula (do qual alguns alunos, tiram fotos, pois serve para aprendizagem, de forma também muito curiosa, pois desconheço esse método) e é a partir disso que o professor "reproduz o conhecimento". E é cobrado do aluno isso. Ao sair da "disciplina", é como se o aluno fosse "mestre" daqueles assuntos, porém em minha opinião, essa é uma afirmação muito duvidosa.

E esse texto não é uma tentativa de culpabilização dos professores, não mesmo, quero deixar claro que a culpa não é de ninguém, é esta lógica de aprendizagem que é completamente fajuta, e mais ainda como reagimos a ela. Os alunos, também, que é a "parte mais importante do processo", são outros tantos "desencabeçados". A verdade é que ninguém gosta de estudar, também pudera com um sistema desses, mas que esse argumento não seja uma desculpa para "não estudo por que tem esse, esse e esse problema". Das poucas tentativas de mudança que há neste meio, pouquíssimas são aproveitadas, pois os alunos, acostumados ao ócio que se dá em sala de aula, reagem muito pouco a essas "inovações".

Ai, um reacionário qualquer, pode pensar ou escrever "ah mais ele só sabe criticar, só vem com essas ideias pessimistas querer frustrar minha ideia romântica de educação", "ele não está escrevendo dentro das normas da ABNT", "não é cientifico", bla bla bla. Acredito que só é possível mudar o macro, a partir do micro, é necessário criar microrrevoluções, para quem sabe, mudar nem que seja um pouco a estrutura do macro. E não vejo maneira adequada, para manifestar uma microrrevolução, de "maneira etiquetada", quem faz isso, para mim, ainda está sobre forças reativas. O ressentimento, diz Nietzsche, é aquilo o qual não podemos nem digerir, tampouco vomitar, criando assim o remorso, o ruminar nietzscheano. Por isso sou a favor do vômito, do escarro, do cuspir, tudo aquilo que incomoda. Tudo aquilo, que faz calar, tudo aquilo que faz apodrecer, até mesmo a aprendizagem.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Dos perigos e caminhos encontrados pelo Ermitão-neófito na senda do conhecimento



"Me deparei com vários temas relacionados ao ocultismo, seja em algum vídeo, rede social ou e-mail, e fiquei bastante entusiasmado! E agora, por onde começar?"

Bom, é bastante comum no início nos depararmos com esta pergunta no inicio da caminhada, pois são tantos assuntos, tantas vertentes... e ainda sim, dentro destes assuntos e vertentes há uma infinidade de outros assuntos e vertentes. Objetivando então, ajudar o aspirante a neófito neste estudo, neste seu novo caminho e em suas práticas, tentaremos traçar aqui uma lista de diversos assuntos que são "essenciais", por assim dizer, para a fundamentação teórica e prática para todo e qualquer "aluno" de magia/ocultismo e afins.
Inicialmente consideramos importante esclarecer alguns conceitos para depois, delimitar a variedade de temas que o estudante poderá se deparará inúmeras vezes em seu caminho, o estudo sistemático deste incluindo sua teória e prática, se faz demasiado interessante. Um desses conceitos, é justamente o que nós estamos propondo falar: "Ocultismo". O que é? Você sabe?

Muitos dizem e afirmam ser estudiosos e pesquisadores de ocultimo, alguns mais ousados afirmam praticar ele, e há também quem converse a respeito sobre uma seita e/ou religião dentro do ocultismo. É bastante comum também vermos em blog's (sobretudo e infelizmente os mais visualizados e "badalados" da internet) referindo-se ao ocultimo qualquer coisa que seja "misteriosa", semelhante a lendas urbanas, ou até mesmo receitinhas de um livro e/ou crendice qualquer. Para citar exemplos: "Diga o nome TETRAGRAMMATON três vezes e serás protegidos pelos anjos do céu e os demônios da terra, blablabla". Eu lhes pergunto, será isto mesmo ocultismo? Eu acredito que não, para mim, isto nada mais é que uma expressão banalizada de um neófito, que seja por maldade ou ingenuidade deixou de lado o aspecto racional da questão.

É preocupante, pois estes ‘maldosos ou ingenuos’ tem-se somado de muitos que não poduram responder assertivamente a pergunta anterior, mas com uma boa intuição, e contando com sabedoria divina, já presente dentro de ti, saberá que isto não passa de "marmotagens" e como alguns dizem "esquizotérices" ou “exoterismo” (diferente é claro, do esoterismo). A formula básica deles é simples, e normalmente seguem um padrão (atente-se e anote num caderninho): misturar algum nome que chame atenção e/ou que possua alguma relevância com alguma coisa que seja fácil (por vezes até banal, como no exemplo do parágrafo anterior). É evidente que o nome TETRAGRAMMATON possui, digamos, que um certo "poder" (isto é, possui sua relevância) mas com toda certeza ele não irá lhe "proteger" de nada, sobretudo usando-o nesta forma tão ordinária.

Corrente isto, se faz ainda mais relevante o nosso post, onde uma vez estamos lançando uma luz, nesses caminhos tão nebulosos. Pois bem, o que é "Ocultismo"? Em suma, e para sermos direto, ocultimo é uma área de conhecimento que tem por objeto de estudo assuntos "ocultos" referente ao homem e os três ambitos de saber do conhecimento e senda esotérica: corpo, alma e mente. Sem querer levar para o âmbito da moral, e tampouco dizer que existe um ocultimo "bom" e "mal", diremos então que há os que estudam de fato os "assuntos ocultos" (isto é, tem um objeto de estudo delimitado e este se encontra ai, no mundo, nas pessoas, entre o visível e o invisível, entre o possível e o impossível) e há aqueles que "inventam" assuntos ocultos. A estes segundos muitos chamam de "esquisótéricos", como já mencionado. Bom, como já dito anteriormente, um bom aspirante neófito terá que contar inicialmente com sua intuição para saber discernir bem, com o tempo, o seu conhecimento adquirido irá se acoplar a sua intuição e lhe ajudará bastante neste processo.

Pode surgir alguma pergunta do tipo: “faz-se necessário, julgar estes ‘esquisotéricos’? faz-se necessáro dar esta ‘lição’ aos aspirantes?” Torno a responder com toda a severidade e certeza que sim! Pois, se o aspirante neófito no inicio da caminhada, se deparar com estas banalidades, e deixar-se ser mordido por estas cobras, será rapidamente setenciado a ficar preso em Malkuth, por um bom tempo, ou até mesmo, por um grande ciclo encarnações.

Mas não pense que é só isso, o caminho iniciátivo não é só separar o joio do trigo, há ai uma série de assuntos, vivências e experiências outras que haveram de vir posteriormente, mas isso cabe ao próprio, agora já neófito, achá-las e tratar de vivência-las.

Há porém, como já dito, muitissimos caminhos, muitissimas sendas, porém todas com o mesmo objetivo, auto-conhecimento e evolução espiritual. Vamos citar algumas sendas: A senda cabalistica, thelêmica, cristã, rosacruciana, luciferiana, satanista, budista, entre outras. Essa é normalmente, das mais citadas. Se valher o conselho, indico começar pela cabalistica a qual traduzimos e escrevemos uma série de artigos, se assim lhe for conveniente. Outra dica também, é esquecer sobre tudo o que já lhe disseram, e torna-se criança. Esquecer sobretudo, deste artigo, e de todos os artigos desse blog. É bem aconselhável inclusive nunca voltar aqui.

Ao tornar-se criança, poderá contruir sua prórpria senda, se assim lhe apraz. O que não convém, é tornar-se novamente vaca, sobretudo malhada.

Querer – ousar – saber – CALAR!

Pax et lux!


sábado, 2 de agosto de 2014

Evolução e Involução na Árvore da Vida


Existe um ciclo de involução e evolução que se aplica a todos os níveis do universo. No ciclo de involução se manifestam sucessivamente os 4 |níveis de manifestação| e vão descendo pela árvore, adquirindo assim qualidades cada vez mais diferenciadas e densas para chegar ao mundo físico tal como o conhecemos. O movimento de Evolução seria a mudança para retornar a fonte a partir de Malkuth, ascendendo por toda a árvore. Poderíamos dizer que a involução é submersa em um plano de manifestação: o mundo de Assiah, enquanto que evoluir seria domar este plano e transcender-lo. A grande metáfora evolutiva da Kabbalah é a ascensão da alma pela árvore da vida, contribuindo ao Tikun Olam , o plano espiritual de evolução do mundo.  Para ilustrar isto temos alguns elementos simbólicos a vezes representados na Árvore:


O Raio Relampejante que como uma espaga de fogo percorre em zigue-zague a árvore da vida até Malkuth. É o  "declínio do poder" ou movimento de involução, a manifestação da divindade do mais sútil ao mais denso, para chegar ao mundo material.


A Serpente de Nechushtan, faz o movimento inverso do raio, a evolução percorrendo desde Malkuth todos os caminhos da árvore até chegar a Kether. Esta serpente nos recorda a Kundalini Shakti buscando sua união cósmica com Shiva.

A serpente é um simbolo dual que podemos representar pela víbora e a cobra: A víbora representa o aspecto ignorante, nosso primitivo cérebro de réptil, nossa animalidade. A cobra por representar o contrário, tal como mostravam os egípcios em "Ureus", nosso impulso para elevar-nos e transcender, para evoluir. Inclusive, na iconografia cristã existe este aspecto dual da serpente em Anfisbena, a serpente de duas cabeças, uma das quais representa a Cristo e a outra Satanás. O Valor numérico desta relação, pela gematria, corrobora com esta relação. É muito importante ressaltar que, todo os objetos tem em si sua dualidade, normalmente etiquetados como "bom" e "mal". O aspecto de Satan como serpente tenta Eva a comer da Árvore do Conhecimento, porém ele não é mal por propor tal feitio, , mas por ignorar que antes deve-se comer do fruto da árvore da vida. Se pretendes evoluir - que é o que Nechushtan representa - antes de obter o conhecimento, que na árvore da vida se encontra na Sephira de Daat, é importante caminhar pelos outros caminhos, pois o perigo que corres é acabar no Abismo de Daat.

O Raio Relampejante entra desde Kether pelo carinho que corresponde a letra Shin, que precisamente significa "fogo e espírito". E percorre em zigue-zague até passar por todas as Sephirot até chegar a terra em Malktuh.

A direita vemos 3 tríades estruturais, limitadas pelas 3 vigas das árvore, os caminhos horizontais que unem as sephirot externas.


A tríade superior é chamada de tríade das raies e corresponde ao "mundo das emanações". (atziluth).


A tríade do meio é chamada de tríade da Ética e corresponde ao "mundo da criação" (Briah)

A tríade inferior é a tríade do templo da coragem, e corresponde ao "mundo da formação" (Assiah).

O mundo da "ação" se corresponde com a décima sephirot, Malktuh.

A evolução, ou retorno a origem, pode realizar-se por dois caminhos:

O caminho da iniciação, que é seguido pelos espirais da serpente ascendendo até Kether e passando por todas as Sephirot e caminhos da árvore. Este é o caminho do ocultista.

E o caminho da iluminação, também é chamado de Caminho da seta, que ascedente pelo pilar Central, desde Malktuh até Kether, passando por Yesod, tiphereth e Daath e os caminhos 21, 14 e 2. Este é o caminhos do místico e do mesmo modo que ascender uma montanha, é muito mais "difícil" que fazer o zigue-zague, este caminho é direto, porém requer uma fé e energia excepcional, e sobretudo, um grande equilíbrio, tal como representa o pilar central. No Yoga, representa a ascensão pela Kundalini pelo canal central: Sushuma.

Em qualquer dos casos, a ascensão implica atravessar algumas barreiras que marcam a 'fronteira' de um nível de manifestação a outro. Estas barreiras impedem a ascensão do indivíduo que não é evoluído a nível do próximo nível de manifestação. Veremos sobre estas barreiras mais adiante.